Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. E encontrar um emprego. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.
Romance de época | Autora: Elizabeth Hoyt | Número de páginas: 350 | Editora: Record | Classificação: 5/5 +
Anna Wren é uma jovem viúva que possui qualidades muito diferentes das que as mulheres do século XVIII possuíam. Morando com sua sogra e uma dama de companhia desde a morte de seu marido (que não havia lhe deixado nenhum dinheiro para o sustento), logo fica claro pra ela que as finanças da família não estão nada bem, e a partir daí Anna decide ir em busca de um emprego, munida das qualidades que seu pai havia passado pra ela. Depois de muito procurar e já estar quase sem opções de lugares para buscar, ela encontra Hopple, o pobre homenzinho que é administrador da propriedade do conde de Swartingham. Para sua sorte, Hopple estava procurando alguém que se encaixasse nos requisitos impostos pelo conde para um novo secretário. Sem pestanejar, Anna agarrou o emprego.
Edward de Raaf, o conde de Swartingham, é um grosseirão que chegou a pouco tempo na cidade e permanece sendo um mistério para os moradores do local, já que não se mistura muito. Ele já afugentou inúmeros secretários e todos os seus empregados tem medo dele, só que com Anna foi diferente. Ele ficou surpreso quando descobriu que seu novo secretário na verdade era uma secretária, e se surpreendeu mais ainda ao perceber que a mulher não corria de medo de seus gritos e grosserias.
Com o passar do tempo e a convivência, uma forte atração vai surgindo entre eles, mas ambos resistem. Edward por achar que não deve ultrapassar a linha do respeito, e, Anna, por achar que seu patrão sequer a nota como mulher. Quando ela descobre que Edward vai a um bordel chamado Grotto de Aphrodite, onde damas poderiam ir sem serem descobertas, Anna decide ir atrás dele lá para satisfazer suas próprias vontades (e consequentemente as do conde), mas com sua identidade mantida em sigilo.
Pela sinopse do livro, é de se pensar que O Príncipe Corvo é um romance erótico, mas é muito mais que isso. Sim, as cenas de sexo são bem explícitas e com uma linguagem bem literal, mas Elizabeth Hoyt consegue fazer tudo isso sem deixar a leitura vulgar. Comecei a ler esse livro esperando uma coisa, e me surpreendi ao ver que havia muito mais, e todos os detalhes me agradaram bastante, transformando esse livro em um dos meus favoritos. A narrativa é em terceira pessoa, intercalando entre as perspectivas dos dois protagonistas, algumas vezes mostrando um terceiro ponto de vista de outro personagem. Apesar de conter algumas palavras mais "antigas" (as quais eu precisei de vez em quando olhar o significado hahaha) e ter uma linguagem um pouco mais formal em comparação a outros romances de época que já li, a leitura é bem fluida e instigante, cheia de diversão, ironia, e muita paixão. Um ponto bastante interessante é que no começo de cada capítulo, temos o trecho de uma fábula contando a história do Príncipe Corvo, fazendo assim com que pareça que estamos acompanhando duas histórias ao mesmo tempo (o que esclareceu pra também o motivo do nome do livro).
Gostei muito da Anna e do fato de ela ser uma mulher forte e decidida (principalmente para combater as injustiças colocadas sobre as mulheres naquela época), mas o meu personagem favorito da trama foi o conde. Sim, o grosseirão, e vou lhes contar o motivo: Desde o começo do livro, vemos Edward sendo um ogro com todo mundo, e de início podemos até pensar "Que pessoa desagradável!". Só que o que amoleceu meu coração em relação a ele, foi saber da sua história de vida e os motivos que o levaram a se transformar naquele casca grossa. Sem contar que aos poucos, sutilmente, o comportamento dele vai mudando ao longo das páginas.
Os personagens secundários também são cativantes, e preciso dizer que simpatizei demais com o coitado do Hopple, que vive com medo dos gritos do patrão hahahaha. As reações do conde em relação às roupas estranhas que seu administrador usava sempre me faziam rir. O próprio fato de Hopple gostar de usar as roupas mais estranhas já me divertiam bastante!
Em resumo, O Príncipe Corvo é uma leitura bastante agradável, leve e gostosa. Me encantou cada partezinha, começo, meio e fim, e se você é um amante de romances de época assim como eu sou, não pode deixar essa belezinha de fora da sua lista de leituras!
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